
Um fato: as pessoas complicam a vida. Com o tempo o ser humano esqueceu de valorizar as pequenas coisas e se deixou levar pela contemporaneidade onde o instantâneo mudou os mais doces e preciosos hábitos. Isso decorre de diversos motivos e todos nós sabemos. O problema se dá quando nos deixamos levar por estes pretextos, desacreditando na simplicidade (mesmo que sem tê-la juremos de pés juntos que prezamos por ela). A quem enganamos com esses falsos pensamentos? Somente a nós mesmos!
O stress diário nos faz criar monstros nas pequenas coisas. Nos faz perder o que temos de mais valioso na vida: o tempo – já que a felicidade está, para mim, em saber aproveitar cada minuto dos dias. Mesmo que às vezes isso se torne difícil.
A simplicidade é fácil e somos nós mesmos que a complicamos. É fácil descobrir ser simples em meio à complexidade e às dificuldades do mundo contemporâneo. Quer um exemplo? Nós pensamos com a cabeça e esquecemos do coração. Um erro fatal! A razão e a emoção devem andar juntas, sem que uma sobreponha a outra. Pensando unicamente de forma racional esquecemos, ou passamos despercebidos, das pequenas coisas e dos momentos únicos – e eles não voltam!
Toda hora é só o agora, não é o antes nem o depois. A simplicidade esta dentro de cada um de nós, mas esquecemos disso já que hoje o homem criou um mecanismo de valorização das coisas mais banais. O ser humano deixou de pensar no eu, e passou a preocupar-se muito mais com o outro – ou o que é pior: passou a preocupar-se muito mais com o que o outro pensará dele, ao invés de preocupar-se com aquilo que realmente pode fazê-lo feliz. Assim esquecemos que as coisas mais simples estão ligadas ao nosso interior. É fácil fazer o teste, pare por meia hora durante o teu dia e pensa nas tuas ações e analisa até que ponto elas estão te rendendo frutos realmente positivos. Acredite: é fácil!
Os habitantes desse mundo vivem numa neurose de que tudo deve acontecer agora e ao mesmo tempo. Priorizam o errado! As pessoas deixam de lado a sensibilidade e agem automaticamente, e assim a simplicidade passa batida por nós. Hoje, queremos muito as coisas e quando as conseguimos queremos sempre mais, e isso vira uma espécie de obsessão. As coisas foram feita de forma natural, por que mudarmos isso?
Nós moramos na cabeça, mas saímos do coração. Como retomar esse pensamento sensível? Como alcançar a simplicidade? Como sermos puros para nos completarmos a partir de nós mesmos? Tudo isso é muito subjetivo, talvez porque somos, hoje, muito desatentos e a atenção é fundamental para obtermos a simplicidade. É preciso tirar a cabeça do futuro e do passado, pensando mais no presente, parando de divagar de forma desenfreada.
Todos nós sofremos com os maus da vida moderna. Estipulamos um planejamento milimétrico do futuro. Planejamento sem dúvida é necessário, mas desejar que o futuro aconteça exatamente como se planejou sem ter a percepção que as coisas são suscetíveis às mudanças e, principalmente, estar aberto à elas... é viver sem naturalidade. E este planejamento excessivo destrói a simplicidade. Daí vem os obstáculos, que são exatamente a forma de exercitar a criatividade para aprender a lidar com cada uma, e toda, dificuldade.
Tem também o perfeccionismo. E ele não gera coisas inusitadas e o inusitado é bom! O inusitado vem com a simplicidade e com a naturalidade. O amor? Tem gente que esqueceu o que é isso! E o amor é o que tem de mais simples na vida. Quer prova maior do que o fato de ele não pedir ao menos licença para chegar? Amar é tão fácil, porque tem gente que considera amar algo tão difícil? E não falo só do amor enquanto sentimento que une as pessoas, mas enquanto sentimento que une o ser humano com o mundo.
Algo me diz que estou filosófica demais hoje, mas isso se deve a um certo alguém que de uma forma rapidíssima me fez perceber alguns elementos básicos para se alcançar a simplicidade e saber aproveitar o que há de mais puro nos relacionamentos com as pessoas.
Simplicidade é autenticidade, é naturalidade, é sabedoria. É fazer aquilo que se quer, na hora que se quer. É arriscar mais e até errar mais.
E essa semana eu compreendi que o tempo passa, e passa sem percebermos. Deveríamos pensar melhor, observar mais atentamente, demonstrar mais, amar mais... coisas simples que podem nos fazer ter uma vida baseada unicamente naquilo que realmente tem algum sentido!
Praticar a simplicidade é essencial. E eu exercitei muito tudo isso na última semana porque eu quero alcançar essa sabedoria. E ela, está logo ali...


